sábado, dezembro 16, 2006
O Elo Mais Fraco da Sustentabilidade
Numa altura em que se fala tanto de Desenvolvimento Sustentável, sobretudo em conferências e certames empresariais (mas também na imprensa) e se assiste ao movimento alargado dos vários actores (ou stakeholders, na gíria) em torno do que deverá ser o futuro das nossas sociedades, é consensual que deve articular a consciência ambiental e o futuro do planeta, com a necessária viabilidade económica sem esquecer a parte social, que diz respeito aos direitos dos trabalhadores e ao bem-estar das comunidades.
Se este último item nos soa algo "deslocado", o que pensar quando percebemos que desde que o conceito fez a sua aparição em público, na Conferência do Rio de 92, incluía uma quarta dimensão que é o respeito pela diversidade cultural? Já há 15 anos atrás se sabia que, numa sociedade cada vez mais uniformizadora, o desrespeito pelas diferenças pode ser extremamente «insustentável» . Hoje, o conflito cada vez mais aberto com o mundo árabe e o terrorismo estão aí para no-lo lembrar.
Para a temática da emigração, este tema traz também outros «apports» relevantes: Que sustentabilidade é também promover um desenvolvimento o menos assimétrico possível, dar às comunidades condições de vida saudável e condigna onde quer que se encontrem e conservá-las coesas e detentoras do seu património cultural.
Para além disso, podemos ir beber à tradição, modos de ser e de estar muito mais «sustentáveis»do que os que vigoram actualmente. A dialéctica entre o tradicional e o moderno foi um discurso que a lógica do desenvolvimento desde sempre fez pender para o segundo. No entanto, «desenvolvimento» nunca quis necessariamente dizer «qualidade de vida».
Meadows, o cientista que nos anos 70 previu que o crescimento teria necessariamente limites, tais como os recursos naturais e que provocou um choque ao demonstrar que o desenvolvimento não era um processo linear e de uma progressividade infinita veio este ano, e passados outros 34, actualizar as suas conclusões.
Existem dois problemas que nos orientam para o colapso: o crescimento populacional e o crescimento industrial. Este último “implica a necessidade de se encontrar algum modo em que as pessoas alcancem a sua satisfação com um certo nível de riqueza material, em vez de definirem a sua felicidade, como o fazem hoje, através de um aumento percentual dos seus rendimentos. (...) Enquanto continuarmos a pensar na felicidade como uma taxa de expansão, é óbvio que nos encaminhamos para o colapso, pelo que temos de encontrar um sistema cultural. É verdade que vemos na sociedade exemplos da diminuição da dimensão das famílias, o que é uma espécie de tendência comum dos países ricos, mas não vejo exemplo nenhum de uma sociedade em que as pessoas digam: «Já chega, temos riqueza material suficiente, agora devemos usar isto de alguma outra forma.»”
Se este último item nos soa algo "deslocado", o que pensar quando percebemos que desde que o conceito fez a sua aparição em público, na Conferência do Rio de 92, incluía uma quarta dimensão que é o respeito pela diversidade cultural? Já há 15 anos atrás se sabia que, numa sociedade cada vez mais uniformizadora, o desrespeito pelas diferenças pode ser extremamente «insustentável» . Hoje, o conflito cada vez mais aberto com o mundo árabe e o terrorismo estão aí para no-lo lembrar.
Para a temática da emigração, este tema traz também outros «apports» relevantes: Que sustentabilidade é também promover um desenvolvimento o menos assimétrico possível, dar às comunidades condições de vida saudável e condigna onde quer que se encontrem e conservá-las coesas e detentoras do seu património cultural.
Para além disso, podemos ir beber à tradição, modos de ser e de estar muito mais «sustentáveis»do que os que vigoram actualmente. A dialéctica entre o tradicional e o moderno foi um discurso que a lógica do desenvolvimento desde sempre fez pender para o segundo. No entanto, «desenvolvimento» nunca quis necessariamente dizer «qualidade de vida».
Meadows, o cientista que nos anos 70 previu que o crescimento teria necessariamente limites, tais como os recursos naturais e que provocou um choque ao demonstrar que o desenvolvimento não era um processo linear e de uma progressividade infinita veio este ano, e passados outros 34, actualizar as suas conclusões.
Existem dois problemas que nos orientam para o colapso: o crescimento populacional e o crescimento industrial. Este último “implica a necessidade de se encontrar algum modo em que as pessoas alcancem a sua satisfação com um certo nível de riqueza material, em vez de definirem a sua felicidade, como o fazem hoje, através de um aumento percentual dos seus rendimentos. (...) Enquanto continuarmos a pensar na felicidade como uma taxa de expansão, é óbvio que nos encaminhamos para o colapso, pelo que temos de encontrar um sistema cultural. É verdade que vemos na sociedade exemplos da diminuição da dimensão das famílias, o que é uma espécie de tendência comum dos países ricos, mas não vejo exemplo nenhum de uma sociedade em que as pessoas digam: «Já chega, temos riqueza material suficiente, agora devemos usar isto de alguma outra forma.»”
A mudança de paradigma que urge é ilustrada pelo compromisso internacional com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio assinado em 2000. Chegados quase ao fim do primeiro meio tempo, o que se conseguiu alcançar?
Se a diversidade cultural é um vector do desenvolvimento sustentável menos explorado, aqui fica o convite para que lhe dêem o destaque que merece. E se emigrar pudesse ser para todos os países apenas uma opção de vida e não um imperativo de sobrevivência? E se toda a diversidade pudesse ser aceite na sua riqueza?
