sábado, abril 15, 2006
Como operacionalizar o Interculturalismo?
Fazendo um pouco de advogada do diabo, a aplicação do Interculturalismo parece-me ter maior pertinência prática, e simultaneamente maior dificuldade, sobretudo ao nível da Educação. Na forma como se estruturam os conteúdos pedagógicos e como culturas diferentes podem apresentar insucesso e abandono escolar por falta de compreensão e enquadramento da diversidade nas estruturas educativas, a começar pelos professores.
Para a sociedade em geral, o debate dificilmente se torna tão necessário e urgente. Tanto mais que determinadas comunidades mais fechadas e autosuficientes (que não deixam de ser minoritárias em relação a outras comunidades de imigrantes - lembro-me do caso dos chineses, indianos e até dos ciganos) e que não dependem da mesma forma da aceitação dos nacionais para trabalhar e sobreviver (por se dedicarem maioritariamente a actividades comerciais) podem exercer uma pressão social muito forte nos seus membros para a manutenção da sua identidade cultural, das tradições e dos casamentos dentro dos seus pares, independentemente do país onde se encontrem e da perspectiva de gestão da diversidade vigente. Nem sempre existe, da parte dos imigrantes, disponibilidade para a fusão ou para a mudança das suas tradições em relação a uma nova realidade aculturada.
O Interculturalismo é então um processo que depende muito mais da atitude e predisposição da comunidade de acolhimento para encarar o "outro como ponto de partida" e que se faz, necessariamente, em ritmos diferentes face à disponibilidade das diferentes comunidades de interagir com a dominante ?
E como é que se operacionaliza? Nomeadamente ao nível da educação? No vídeo do ACIME "Gente como nós", as professoras da Escola nº1 de Lisboa não vão poder avaliar os conhecimentos das crianças imigrantes das suas culturas de origem. Em que fase estamos do processo a este nível? Na episódica? Ou já acrescentamos conteúdos de outras culturas à nossa?
No estádio final do Interculturalismo, a fase Interventiva, com alteração das relações de poder e participação, como se concretizará este aspecto? Talvez dentro do programa já definido, pudesse haver disciplinas optativas de cultura e língua das nacionalidades imigrantes mais representadas e todos tivessem de optar por uma. Os meninos imigrantes naturalmente optariam pela sua enquanto os nacionais poderiam aprender novas formas de olhar o mundo, pelos olhos dos seus colegas. Será esta uma abordagem interculturalista?
Para a sociedade em geral, o debate dificilmente se torna tão necessário e urgente. Tanto mais que determinadas comunidades mais fechadas e autosuficientes (que não deixam de ser minoritárias em relação a outras comunidades de imigrantes - lembro-me do caso dos chineses, indianos e até dos ciganos) e que não dependem da mesma forma da aceitação dos nacionais para trabalhar e sobreviver (por se dedicarem maioritariamente a actividades comerciais) podem exercer uma pressão social muito forte nos seus membros para a manutenção da sua identidade cultural, das tradições e dos casamentos dentro dos seus pares, independentemente do país onde se encontrem e da perspectiva de gestão da diversidade vigente. Nem sempre existe, da parte dos imigrantes, disponibilidade para a fusão ou para a mudança das suas tradições em relação a uma nova realidade aculturada.
O Interculturalismo é então um processo que depende muito mais da atitude e predisposição da comunidade de acolhimento para encarar o "outro como ponto de partida" e que se faz, necessariamente, em ritmos diferentes face à disponibilidade das diferentes comunidades de interagir com a dominante ?
E como é que se operacionaliza? Nomeadamente ao nível da educação? No vídeo do ACIME "Gente como nós", as professoras da Escola nº1 de Lisboa não vão poder avaliar os conhecimentos das crianças imigrantes das suas culturas de origem. Em que fase estamos do processo a este nível? Na episódica? Ou já acrescentamos conteúdos de outras culturas à nossa?
No estádio final do Interculturalismo, a fase Interventiva, com alteração das relações de poder e participação, como se concretizará este aspecto? Talvez dentro do programa já definido, pudesse haver disciplinas optativas de cultura e língua das nacionalidades imigrantes mais representadas e todos tivessem de optar por uma. Os meninos imigrantes naturalmente optariam pela sua enquanto os nacionais poderiam aprender novas formas de olhar o mundo, pelos olhos dos seus colegas. Será esta uma abordagem interculturalista?
Ao nível da gastronomia, podemos verificar muitas vezes a tal aculturação. O MacDonald's que no nosso país introduz as sopas, os restaurantes chineses que apresentam pratos diferentes dos que usam no seu país e chegam a ter gambas al la guillo, mas também a difusão das pastas, fondue e croissants em nossas casas. E quantas pizzarias hoje em dia são italianas (nem sempre foram sinónimo de fast-food)? Se ao menos tudo fosse tão auto-regulável como o mercado...
