domingo, abril 16, 2006

 

Sistemas de Integração de Imigrantes

Existe de alguma forma um percurso não linear que tem vindo a ser desenvolvido pelos diferentes países em relação à gestão da diversidade. De grosso modo, podemos salientar quatro modelos:
Segregacionismo- na história da África da Sul por o ter levado ao extremo, pretendia instituir espaços limitados para as diferentes comunidades. É um modelo desfazado no tempo mas associado a países com profundas divisões internas: Irlanda (entre católicos e protestantes), Bélgica (francófonos e flamengos), Alemanha;
Assimilacionismo- O estrangeiro só tem plenos direitos quando for um igual, abdicando da sua cultura de origem. Em países menos permeáveis à diferença, a questão deixa de se colocar só ao nível dos plenos direitos, para se tornar uma questão pública e compulsiva- o caso de alguns países árabes em relação à indumentária das mulheres (mesmo estrangeiras). No caso francês, pretende-se anular a manifestação das diferenças religiosas em espaços públicos. Este é laico e não permite qualquer expressão religiosa (mesmo a católica maioritária nesse país);
Multiculturalismo- Defende a convivência de diferentes culturas no mesmo espaço ainda que dentro dos seus registos próprios, bem delimitados. Há cristalização cultural e pouca interacção entre culturas. Passa-se em Inglaterra e Canadá e até há pouco tempo na Holanda. Há cerca de dois anos entrou em crise com o atentado terrorista em Espanha;
Interculturalidade- Núcleo fundamental de valores presentes na lei em que todos se respeitam. Para além das leis, há um conjunto de práticas próprias de cada cultura. Introduz a ausência de hierarquização entre as culturas de origem dos imigrantes e a do local. Defendida em Portugal.
Com os atentados terroristas dos últimos anos a ascensão de movimentos pouco tolerantes em relação à imigração e à relação que erradamente lhe fazem com o desemprego na Europa, ganhou outros contornos e muitos países reverteram as suas políticas de maior abertura e humanismo em relação à diversidade cultural. França, Áustria e Holanda têm defendido restrições ao reagrupamento familiar, anteriormente amplamente defendido. Hoje em dia, a Europa está entre "recuperar os valores e as atitudes que estiveram sempre na origem da sua grandeza através da história - a abertura ao mundo e aos outros, a capacidade de integrar pessoas e ideias, a convicção profunda nos seus próprios valores cívicos e políticos" (Teresa de Sousa, Público, 1/11/2005) e uma nova Era das Trevas.





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