segunda-feira, julho 31, 2006
Proposta de divulgação Kit EI a entidades
Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas
Bolsa de Formadores
Assunto: Apresentação do módulo de sensibilização para a Educação Intercultural
Exmos. Sr.s:
Somos influenciados culturalmente pelo meio em que vivemos e aceitamos os pressupostos da nossa comunidade cultural, interiorizando os seus valores, as suas ideias, os seus preconceitos e estereótipos. Esta interiorização é uma realidade, tanto para uma criança pertencente à chamada cultura dominante como para uma criança pertencente às minorias, mas esta, quando chega à escola, é normalmente obrigada a confrontar e a pôr em causa a sua cultura, enquanto que as primeiras raramente têm de enfrentar esta situação, visto que a escola reforça os mesmos valores, as mesmas crenças e pressupostos adquiridos em casa e na comunidade.
Assim, os membros das culturas dominantes têm poucas oportunidades de examinarem os seus pressupostos que são “naturalmente” monoculturais, que desvalorizam outras culturas e têm dificuldades em funcionar efectivamente com outros grupos culturais. Como consequência da visão negativa que os educadores têm dos alunos das minorias étnicas e das suas culturas, muitos destes alunos não conseguem adquirir as competências necessárias para agir eficazmente na sociedade.
O Paradigma da carência cultural defende que os alunos das classes desfavorecidas não têm bom desempenho por causa da cultura de pobreza que os rodeia. Acreditam que características como a pobreza, famílias desorganizadas, famílias numerosas ou ambientes familiares monoparentais provocam nas crianças das classes desfavorecidas uma “carência cultural” e um “défice cognitivo” irreversível.
Para estes teóricos, o problema principal é, sobretudo, a cultura das crianças mais do que a cultura da escola.
Os programas baseados neste paradigma (...) são estruturados de tal maneira que obrigam a grandes mudanças no comportamento dos alunos. Os professores e outros educadores só têm de alterar ligeiramente o seu comportamento e as instituições pouco têm de mudar. Estes programas tendem a alienar os alunos das suas culturas originais na medida em que estas culturas são vistas como a principal razão do desempenho escolar insatisfatório. Os programas baseados neste paradigma reflectem e perpetuam o status quo e a hegemonia do grupo predominante.
O Paradigma da diferença cultural rejeita a ideia de que as crianças das minorias étnicas têm défice cultural. Defendem que os grupos étnicos têm culturas diferentes, fortes e ricas. A língua, os valores, os estilos de comportamento e as perspectivas dessas culturas podem contribuir para o enriquecimento da cultura predominante. A razão do insucesso escolar das minorias deve-se à distância entre a sua cultura e a cultura da escola e não porque detenham culturas carenciadas. Assim, defende-se que a escola é a principal responsável pelo insucesso das minorias.
Um dos objectivos da educação multicultural é reduzir a distância que existe entre os ideiais democráticos ocidentais de igualdade e justiça e a prática social que contradiz constantemente esses ideiais, praticando a discriminação racial, sexual e social.
A educação multicultural não se destina só a alguns grupos minoritários. É para todos! A educação multicultural é um movimento de reforma educativa destinado a restruturar as escolas e outras instituições educativas, de modo a que todos os alunos, independentemente da classe social, raça, cultura e sexo tenham igualdade de oportunidades de aprendizagem.[1]
O ACIME disponibiliza gratuitamente sessões de sensibilização para as entidades interessadas, normalmente de duas horas, sobre a temática da Educação Intercultural (versão genérica, versão escolas e versão crianças/ jovens) para além de outros três módulos (Lei da Nacionalidade/ Imigração, Acolhimento e Mitos e Factos). Se sente o apelo por este debate e pela disseminação da mensagem de democracia que transporta, queira entrar em contacto com os nossos serviços. Teremos todo o gosto em a levar até vós.
Com os melhores cumprimentos,
Bolsa de Formadores
Assunto: Apresentação do módulo de sensibilização para a Educação Intercultural
Exmos. Sr.s:
Somos influenciados culturalmente pelo meio em que vivemos e aceitamos os pressupostos da nossa comunidade cultural, interiorizando os seus valores, as suas ideias, os seus preconceitos e estereótipos. Esta interiorização é uma realidade, tanto para uma criança pertencente à chamada cultura dominante como para uma criança pertencente às minorias, mas esta, quando chega à escola, é normalmente obrigada a confrontar e a pôr em causa a sua cultura, enquanto que as primeiras raramente têm de enfrentar esta situação, visto que a escola reforça os mesmos valores, as mesmas crenças e pressupostos adquiridos em casa e na comunidade.
Assim, os membros das culturas dominantes têm poucas oportunidades de examinarem os seus pressupostos que são “naturalmente” monoculturais, que desvalorizam outras culturas e têm dificuldades em funcionar efectivamente com outros grupos culturais. Como consequência da visão negativa que os educadores têm dos alunos das minorias étnicas e das suas culturas, muitos destes alunos não conseguem adquirir as competências necessárias para agir eficazmente na sociedade.
O Paradigma da carência cultural defende que os alunos das classes desfavorecidas não têm bom desempenho por causa da cultura de pobreza que os rodeia. Acreditam que características como a pobreza, famílias desorganizadas, famílias numerosas ou ambientes familiares monoparentais provocam nas crianças das classes desfavorecidas uma “carência cultural” e um “défice cognitivo” irreversível.
Para estes teóricos, o problema principal é, sobretudo, a cultura das crianças mais do que a cultura da escola.
Os programas baseados neste paradigma (...) são estruturados de tal maneira que obrigam a grandes mudanças no comportamento dos alunos. Os professores e outros educadores só têm de alterar ligeiramente o seu comportamento e as instituições pouco têm de mudar. Estes programas tendem a alienar os alunos das suas culturas originais na medida em que estas culturas são vistas como a principal razão do desempenho escolar insatisfatório. Os programas baseados neste paradigma reflectem e perpetuam o status quo e a hegemonia do grupo predominante.
O Paradigma da diferença cultural rejeita a ideia de que as crianças das minorias étnicas têm défice cultural. Defendem que os grupos étnicos têm culturas diferentes, fortes e ricas. A língua, os valores, os estilos de comportamento e as perspectivas dessas culturas podem contribuir para o enriquecimento da cultura predominante. A razão do insucesso escolar das minorias deve-se à distância entre a sua cultura e a cultura da escola e não porque detenham culturas carenciadas. Assim, defende-se que a escola é a principal responsável pelo insucesso das minorias.
Um dos objectivos da educação multicultural é reduzir a distância que existe entre os ideiais democráticos ocidentais de igualdade e justiça e a prática social que contradiz constantemente esses ideiais, praticando a discriminação racial, sexual e social.
A educação multicultural não se destina só a alguns grupos minoritários. É para todos! A educação multicultural é um movimento de reforma educativa destinado a restruturar as escolas e outras instituições educativas, de modo a que todos os alunos, independentemente da classe social, raça, cultura e sexo tenham igualdade de oportunidades de aprendizagem.[1]
O ACIME disponibiliza gratuitamente sessões de sensibilização para as entidades interessadas, normalmente de duas horas, sobre a temática da Educação Intercultural (versão genérica, versão escolas e versão crianças/ jovens) para além de outros três módulos (Lei da Nacionalidade/ Imigração, Acolhimento e Mitos e Factos). Se sente o apelo por este debate e pela disseminação da mensagem de democracia que transporta, queira entrar em contacto com os nossos serviços. Teremos todo o gosto em a levar até vós.
Com os melhores cumprimentos,
[1] In Cotrim, 1995.
